Sábado, 11 de Julho de 2009

Fórum Municipal da Cultura de Florianópolis

Foto: Artur de Bem

Florianópolis não tem a cultura de cultuar a cultura de sua própria cidade.

Pela primeira vez algo grande vai acontecer.

As pessoas que praticam a cultura em Florianópolis (atores, músicos, artistas plásticos, dançarinos, cineastas, boi-de-mamoeiros, etc.) se reúnem, de tempos em tempos, para ver o que pode ser feito para melhorar a situação na cidade.
Nesta quarta-feira (8) houve mais uma dessas reuniões e houve um encaminhamento: Formar o Fórum Municipal da Cultura.
Um Fórum, segundo o dicionário Priberam, é um local destinado à discussão pública; reunião ou sítio virtual onde se discute determinado tema; ou praça pública, na antiga Roma.
Nesse Fórum serão discutidas formas de se fazer cultura de uma forma melhor, já que pior não pode ficar.

A partir do Fórum, o prefeito vai conhecer quem são as pessoas que fazem a cultura acontecer em Florianópolis, e terá uma boa base para poder convocar a Conferência Municipal da Cultura.

Tudo isso é exigido aos municípios pelo Ministério da Cultura para que se possa destinar verba do Ministério para os municípios que fizeram todos esses passos.

A partir da Conferência, serão retirados os nomes para formar o Conselho Municipal de Cultura, que será o órgão regulamentador da cultura em Florianópolis, digamos assim. Dará conselhos ao prefeito.

Nunca antes na história dessa cidade aconteceu algo dessa magnitude.

O Fórum Municipal da Cultura será criado no Teatro da Ubro, na Escadaria da Ubro, terça-feira, dia 14, às 19h.


A partir de agora, quem reclamar que não tem oportunidade de fazer cultura na cidade vai merecer uma camassada de pau. Se ficar no "ai de mim", "tadinho de mim", depois de tudo isso, tem que largar a cultura e entrar no ramo da engenharia civil.


Ps.: Cultura, conforme o Priberam, é, entre outras definições, o conjunto das operações necessárias para que a terra produza.
Eu, usando essa definição, digo que a cultura é o que define um povo e seus costumes.
Qual é a cultura do manezinho? É comer tainha (então a pesca e a culinária podem estar incluídas na cultura municipal); é fazer ladainha, rezar aos domingos (então a religião pode estar incluída na cultura municipal); é fofocar; é saber que o vento suli faz mal quando tomamos café quente; é ler o jornal cedo pra saber do Avaí e do Figueirense......

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

História de Avez-vous



Avez-vous – O primeiro carro alegórico da Copa Lord foi quando eu fiz o samba “Florianópolis, paraíso terreal”. Era uma ostra, grande, no meio da ostra o Rei Netuno e ao lado dele uma sereia. Um carro simples onde predominava o dourado. E a Protegidos da Princesa, quando viu que a Copa Lord vinha, já tinha feito samba pra eles, Brugman Engenheiro, na última hora fizeram um navio, brinde, um navio mais ou menos, do tamanho de 2 metros, por aí, mas um negócio mal acabado. Mas só porque a Copa Lord veio com carro alegórico. E o Filhos do Continente, pra não ficarem por baixo, botaram uma menina, filha do militar graduado lá do 14º Batalhão, uma lourinha, em cima do cavalo branco, Anita Garibaldi. Saiu como Anita Garibaldi, foi em 1965. Essas foram as primeiras alegorias das Escolas de Samba de Florianópolis.
Artur de Bem – Dali em diante, todas elas...
Avez-vous – Ah, dali em diante, cada um começaram as brigas das alegorias, que até então não tinham.
(A parte em vermelho é porque não entendi muito bem o áudio)


Tive o privilégio de entrevistar um dos maiores boêmios que Florianópolis já teve. Isso foi em 30 de abril de 2007, em sua casa, naquele sofazinho onde ele concedia todas as suas entrevistas. Foi uma entrevista de áudio, gravada em umas 3 fitas k7.
Já passei esse material pra cd, e distribuí pra umas 2 pessoas. Uma delas é a Dieve. A outra, se é que eu realmente fiz, foi pro Velho Bruxo. A minha cópia perdi. A Dieve até agora não encontrou a cópia que dei pra ela. Mas ela diz que tá lá, em algum lugar da casa dela.

A questão é que estou decupando as fitas que estão comigo, mas não sou muito bom nisso (até porque as fitas vão ficando velhas e o áudio cada vez mais imperceptível), nem tenho tempo.

Como é uma certa responsabilidade cuidar disso tudo sozinho, estou cá pedindo ajuda, a quem interessar possa, para decupar as fitas.

É a sua chance de fazer algo pela história do samba de Florianópolis.


Legenda da foto: Foto usada pela Copa Lord em um painel gigante no carro onde ia desfilar Avez-vous em 2008, ano de sua morte. Essa foi a melhor foto dele encontrada na internet pela escola. O crédito não foi dado. Um dia, vendo um TCC sobre a Copa Lord, vi a sua esposa dando depoimento e essa foto estava em uma moldura, de fundo, em sua casa. O crédito não foi dado, e nunca recebi nada por isso. Foto: Artur de Bem

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Repentista agora é profissão

Sabe aqueles figuras que ficam de vez em quando na Praça XV, ou na Felipe Schmidt, cantando, e todos chamavam de malandros e mandavam trabalhar?
Pois agora eles tem uma profissão: repentistas.

Essa é a análise da Câmara Federal, que aprovou projeto de lei que regulamenta esta profissão.
Agora será necessário ser aprovado pelo Senado.

Mais informações clicando aqui.



O vídeo, pra este caso, serve apenas os 40 primeiros segundos. O resto é lucro.

Agora já vislumbro ter duas profissões: jornalista e sambista. E nem vou precisar de diploma. Pra nenhum dos dois.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Sexta-feira no Mercado Público

Estive, nesta sexta-feira, no vão central do Mercado Público com um amigo. Vou omitir o nome para preservar sua credibilidade.
Podem rir, mas afirmo, com a mais absoluta tranquilidade, que foi uma das melhores sextas-feiras que eu tive nos últimos meses.

Gente estranha, música ruim, som problemático, mala, bandido, mulher feia, mulher bonita, cerveja gelada e refrigerante tem em tudo que é lugar. Mas no Mercado parece que essa junção toda não fica tão ruim. Fica até legal. Acho que é porque todos esses itens nós encontramos em um butiquim qualquer. E o Mercado é um butiquim em grande escala. E o clima bom de um butiquim mantém a proporção.

Foi uma noite agradável. Um velho conhecido nos pagou uma cerveja, embora eu não beba, depois esse mesmo velho conhecido sentou conosco à mesa, dividiu mais uma, e se tornou um novo amigo. Bêbados dançavam ao som da música ruim, homens procuravam alguém para esquentar seus pés, apenas por aquela noite, prostitutas faziam o seu trabalho, malas transitavam pelas mesas, e eu até fui paquerado por uma pretinha da mesa ao lado. Alguém pode dizer: "só faltou fazer chover". Não faltou nem isso, porque choviscou um pouco, o que nos obrigou a sentar junto a mais outras 2 mesas, de mais outros velhos conhecidos.

É claro que as sextas-feiras no Mercado Público não são aquelas sextas-feiras da época em que eu não frequentava, mas já encontrei um lugar pra ir quando sair do trabalho.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Plágio

Na postagem que eu fiz sobre plágio, muita gente disse que a postagem deu a entender que o samba da Portela parece um samba da Copa Lord. De fato. Relendo percebo que dá essa impressão.

Na verdade o samba da Portela parece muito com um samba da Velha Guarda da Coloninha.
É que foi tão automático pra mim, quando ouvi o samba da Portela, que achei que outras pessoas sentissem o mesmo que eu. Parece que não.

Já fiz essa retificação na postagem original também, e também explico nessa postagem nova.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Memória

Eu, enquanto historiador, fico muito triste com as notícias que recebi nos últimos dias:
O fim do Bar Cine York (o Cine já tinha fechado há mais tempo)
O fim do jornal O Estado (a morte já era anunciada, mas o estado do fim do O Estado é que é triste)
E a situação da Biblioteca Pública Estadual.

Li no Blog do Moacir Pereira sobre a situação da Biblioteca.

O elevador continua sem operar. Os ladrilhos estão caindo. Os jornais não têm proteção. O mais rico acervo, com obras do século XVIII, está sem climatização.

Agora, o pior: na semana passada, um defeito no sistema hidráulico, provocou enchente parcial. As águas atingiram jornais e revistas no terceiro andar.

Na segunda-feira, a Biblioteca Pública foi interditada. Informa-se que os jornais molhados seriam enviados para o lixão.


Pra quem ainda queria ver alguma coisa do jornal O Estado, pode ser que agora não veja nunca mais.

Eu já fui algumas vezes pesquisar coisas nos jornais antigos da Biblioteca.
Em teoria, seria necessário usar luvas pra proteger o jornal de contatos com a pele. Mas eles não tem luvas. Fico sem ler o jornal? Não. Fico sem luva e leio do mesma jeito.


O estado do jornal O Estado está sendo divulgado em vários blogs: Moacir Pereira, César Valente, Celso Martins, Alexandre Gonçalves, Carlos Damião, Alessandro Bonassoli, e acho que só.
Meu chefe e a minha mãe já trabalharam no jornal O Estado. Meu chefe foi diagramador e a minha mãe foi revisora. Puxando do baú ela lembrou que até já fez 2 ou 3 matérias. Até ela já foi jornalista. E não tem diploma. Isso nos idos de 1970.
Quando contei pra ela que a função de revisor não existe mais, ela lamentou. Eu também. Os leitores também. É muita matéria sem começo, meio fim, sem pé, sem cabeça, sem informação, sem nada.
Sinto falta de um revisor sem nunca ter trabalhado com um.


Já o Bar Cine York fechou as portas. Mais um espaço que guarda(va) a memória da cidade de São José se indo.
O Cine York já tinha fechado há mais tempo. Dessa vez foi o Bar.
Uma das justificativas para o fechamento do bar é a manutenção do espaço. Estava ficando inviável.
Eu quase choro quando passo por lá, vejo a faixa de "Vende ou aluga", e lembro dos poucos momentos que estive lá, fazendo um samba, imagina o Seu Catonho Gerlach, um dos donos do espaço.


Eu quase choro com essas informações, com o fato de que o Museu de Imagem e Som está em estado de depreciação também, que pessoas estão deixando esse mundo e ninguém dá a mínima, que ninguém pensa em guardar a história da cidade.
Até pensam, mas ninguém coloca em prática.


E o povo canta: "Quem é que não se lembra da jaqueira. Da jaqueira da Portela. Velha fiel amiga e companheira. Eu sinto saudades dela" (Zé Ketti)

Saxofone de Proveta é prematuro

Não contive o trocadilho...

Um dos maiores saxofonistas e clarinetistas do país, Nailor Proveta, estaria em Florianópolis para o pré lançamento do seu cd Brasileiro Saxofone, mas ele ficou doente.

Segue informação do Luiz Sebastião:

Queridos amigos...

O que temos pra informar é sério e muito triste...

O proveta nos telefenou e informou que seu estado de saúde é grave e necessita de tratamento urgente.

Há algum tempo ele vem sentindo fortes dores nos braços (tendinite) após passar algum tempo tocando. Sua médica pediu para ele fazer repouso absoluto e esperar algum tempo antes de voltar a tocar (este tempo é que não sabemos o quanto vai ser). Como a apresentação seria na semana que vem dia 03 de julho, resolvemos cancelar esta data e adiar a apresentação para uma data futura quando ele estiver recuperado.

Por isso pedimos desculpas aos amigos que ajudaram na divulgação do evento, e gostariamos que este comunicado de cancelamento fosse repassado aos seus contatos.

As pessoas que por ventura tenham comprado o seu convite, por favor podem trocá-lo novamente no local da compra.

Pedimos desculpas à todos...

No momento pedimos aos amigos que torçam pela rápida recuperação desta pessoa maravilhosa e músico extraordinário:
N
ailor Proveta

Muito obrigado

L
uiz Sebastião

Domingo, 21 de Junho de 2009

"Vive melhor quem samba!"


Isso é Antônio Candeia Filho, o maior sambista de todos os tempos. Ponto.

E o autor de sua biografia (Candeia - Luz de um vencedor), João Baptista M. Vargens, estará em Florianópolis para o lançamento da 3ª edição do livro.

O lançamento já foi realizado em várias outras cidades do país. No Rio de Janeiro o acontecimento foi acompanhado por Cristina Buarque e Terreiro Grande. O vídeo de cima não é deste evento especificamente, mas de um outro show, em homenagem ao Mestre!
Aqui o lançamento será dia 28, domingo, junto com o aniversário de 12 anos do grupo Um Bom Partido, no restaurante Praça 11, em São José.

O livro vem acompanhado de um cd com 23 músicas inéditas, 5 na voz do próprio e outras na voz de outras pessoas, como Cristina Buarque.
O livro todo é uma obra prima.
Ainda não o li, mas sei que tem ilustrações de LAN, Nei Lopes, e a orelha é de Sérgio Cabral, pra mim, o papa do samba. Se Sérgio Cabral recomenda, eu sigo de olhos fechados, correndo, sem piso guia e sem bengala de apoio.



Eu digo e até posso afirmar: vive melhor quem samba!

Vou pela rua cantando e o clarão da rua vem ornamentar
Sim, vou levando alegria pra Dona Tristeza alegre ficar
Abra a janela do peito e deixe o meu samba passar
Samba não tem preconceito e já vai te libertar
A liberdade dos prantos e dos desencantos que a vida nos deu
A liberdade que canto é amor e esperança pra quem já sofreu
Cada qual que olhar para trás verá que sempre há uma razão de viver
Quem guerreia pela paz, a verdadeira paz nunca há de ter

Cantem todos como eu faço, perdoem os fracassos. A vida é tão curta! Enquanto se luta, se samba também
Noite fria, enluarada, fim de madrugada, feliz vou cantando, cantando a alegria que o samba contém

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Sou jornalista!

Ainda não me formei, mas o STF antecipou pra mim. Não é mais obrigatório o diploma, logo, sou jornalista!

Qualquer um já se dizia sambista, porque não há um diploma de sambista, agora qualquer um vai se dizer jornalista. Que merda...

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Obrigatoriedade do diploma de jornalismo

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Proveta

SERÁ?????
SERÁ?????
SERÁ?????

Será que
Nailor Proveta, o maior clarinetista da atualidade, voltaria a Floripa este ano, este semestre????

SERÁ?????
SERÁ?????
SERÁ?????


Proveta esteve no Floripa Instrumental, no Ribeirão, elogiado até as últimas por quem presenciou o evento.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Estúdio de gravação por R$100 ao ano


É isso mesmo. E parodiando a slogan de uma empresa de telefonia nova em SC, simples assim.

Tem gente que vem falar comigo e duvida que seja "de graça".
Pra quem está em dia com a Ordem, é "de graça".

Você paga a anuidade da Ordem, corre o risco de conseguir aposentadoria como músico, auxílio 
médico, odontológico, funeral, etc (que ainda estão no projeto).

Mas só pelo fato do músico ter um estúdio de gravação disponível "de graça" (que já está em prática, lá em Biguaçu), já seria argumento suficiente pra fazer parte da Ordem.

O que o povo mais reclamava antigamente, e com razão, era que o músico não
 tinha vantagem.
Hoje o músico tem a sua disposição um estúdio de gravação!! Não é vantagem?
Qual músico não sonha em ter seu cd?

Eu juro que não entendo esse pessoal que tem raiva da Ordem, reconhece o esforço do Machadinho, tem um estúdio disponível, e nem sequer cogita a idéia de conversar com o Machadinho, como eu sei que alguns já o fizeram e gostaram da conversa.


Estúdio
Pra usar o estúdio é simples. O músico faz um projeto que deve conter itens básicos como: lista das músicas, lista dos músicos, registro das músicas, etc. Coisas óbvias, solicitadas por qualquer estúdio de gravação. Na Ordem não será diferente. Mas os músicos não querem cumprir esta pequena solicitação da Ordem.


Crédito das fotos: Artur de Bem

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Cultura


Foto: Artur de Bem

Alguns representantes da cultura de Florianópolis estão se reunindo de quando em quando para tentar melhorar o quadro da cidade.
Ontem a noite houve uma dessas reuniões.

Uma das pautas da conversa foi o Conselho Municipal de Cultura.
O projeto de lei que trata do Conselho está para ser aprovado na Câmara.

O Conselho é formado por 15 representantes da sociedade civil (povo) e 15 representantes governamentais (secretários, etc.), que serão indicados a partir da Conferência Municipal de Cultura, convocado pelo prefeito.
Pra que esses 15 representantes da sociedade civil (povo) sejam indicados, é necessário um Fórum Municipal da Cultura, convocado pela própria sociedade civil (povo).

Pelo que disseram na reunião, e se não me engano, o presidente Lula está para sancionar (assinar), nos próximos dias, o Plano Nacional de Cultura. Aí os prefeitos terão que convocar a Conferência pra que tudo funcione bem em suas cidades.

Só que tudo isso (Fórum, Conferência e Conselho) já pode, e deve, estar pronto quando o presidente sancionar o Plano. Aí será formado o Plano Municipal de Cultura, que terá as diretrizes (caminhos) a seres seguidos para que a cultura em Florianópolis vá para uma direção diferente da que está indo hoje.

É burocrático, é chato, é cansativo. Pra quem não conhece, não deve estar entendendo nada do que eu to dizendo, apesar de eu tentar ser claro, porque quando eu também não entendia nada, também achava chato, cansativo e burocrático, mas é assim que deve funcionar.

Cultura não é só "oba oba". É necessário um pouco de trabalho também.


O que é um Conselho Municipal de Cultura? Pra que serve?
O Conselho, o próprio nome já diz, serve para dar conselhos ao prefeito. O Conselho que está pra ser aprovado é consultivo (pra ser consultado sobre determinado assunto), normativo (não sei explicar) e deliberativo (tem o poder de sugerir ações (cobrar) ao prefeito).
O Conselho serve para cuidar da cultura na cidade. Propor melhorias ao prefeito, criar ou sugerir campanhas culturais, criar um cadastro das entidades culturais, etc, etc, etc.
O projeto de lei, onde diz tudo isso e mais um pouco, pode ser consultado aqui. É simples.

Glossário
Plano - lembram do Scooby-Doo, quando a Welma dizia: "Gente! Tenho um plano!" ? Então... nada mais é do que uma idéia, só que colocado no papel pra que seja seguido.
Projeto - algo que ainda não é concreto. Pra se fazer uma casa, é necessário um projeto arquitetônico, por exemplo.
Projeto de lei - uma lei ainda não concretizada. Pra se concretizar, é necessário ser aprovada pela Câmara Municipal e pelo prefeito.
Câmara Municipal - local de trabalho dos vereadores.
Conferência - reunião solicitada pelo prefeito.
Fórum - reunião solicitada pelo povo.

Eu não fiz isso pra subestimar a inteligência de ninguém, mas é que quando eu não entendia nada, não gostava de ler textos com essas expressões. Me perdia todo. Mas é tudo muito simples.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Plágio

Antigamente as escolas de samba daqui desfilavam com sambas do Rio, do ano anterior.
Com o tempo, o pessoal daqui colocou na cabeça que poderia compor. E compunham, realmente.
Alguns, malandros, tinham contatos com sambistas do Rio e iam frequentemente para lá. Como eram 1 ou 2 que o faziam, eles voltavam, vez ou outra, com um samba existente em alguma escola no Rio, e um pouco da letra alterada pra colocar o nome de suas escolas de Floripa.
Atitude ilícita ou malandragem? Talvez os 2.

E isso é (de)mérito de todas as escolas.
Dizem, até, que o hino da Copa Lord é plágio. Só que nunca conseguiram provar. Talvez por não conseguirem, talvez por respeito ao mestre Avez-vous.

Só que esses dias eu ouvi um samba que me soou familiar. Samba "Devagar" de Noca, Colombo e Edir, lá da Portela, gravado no álbum Portela 71.


Pode ser só impressão. Mas esse samba me lembrou um samba que a Velha Guarda da Coloninha canta.

Mas isso é comum. De vez em quando eu ouço um samba e me lembro de outro sem ser plágio um do outro. As vezes 1 compasso igual já me faz lembrar de outro.


Historinha
Sinhô é famoso pelo samba "Jura", mas famoso também por brigas e intrigas entre os outros sambistas da época, e por acusações de roubos e plágios de sambas.

Se não me engano esse caso foi com ele, Sinhô, autoproclamado Rei do Samba.
Quando alguém aparecia no buteco com algum samba novo, ele ficava com o sujeito cantando o samba novo por várias e várias vezes, enquanto um amigo ficava num biombo, escondido, escrevendo a partitura do samba. De lá eles saíam pra registrar o samba e o verdadeiro compositor ficava no bar, bêbado.

Outra historinha
Mano Edgar, também fundador da Deixa Falar, é autor de uma batucada famosa nas rodas de samba do Estácio: “Quando eu morrer / Não quero choro nem nada / Eu quero ouvir um samba / Ao romper da madrugada”

Em 1933, Noel Rosa “tirou cola” do samba e compôs Fita Amarela, que faz sucesso até hoje: "Quando eu morrer / Não quero choro nem vela / Quero uma fita amarela / Gravada com o nome dela"

Mas, no ano anterior (1932), Donga e Aldo Taranto já haviam feito o mesmo compondo o samba Quando Você Morrer, com a seguinte letra: "Quando você morrer / Juro que não vou chorar / Vou procurar quem me dê / O que você não me dá"

Donga, ao ouvir o samba nas rádios, foi aos jornais e acusou Noel de plágio. Mano Edgar, o verdadeiro autor, já estava morto: foi assassinado na véspera do Natal de 1931, em um jogo de ronda. E morto não fala.
Fonte:
Turma do Estácio

Sábado, 30 de Maio de 2009

Lobby

O termo “lobby” é muito utilizado no meio político. Infelizmente, grande parte da população possui uma concepção errônea do significado da palavra. Primeiro, precisamos entender que lobby nada mais é do que um grupo de pressão na esfera política, um grupo de pessoas ou organizações que tentam influenciar, aberta ou secretamente, as decisões do poder público em favor de seus interesses.

O projeto de lei (PL) do couvert artístico está tramitando, e até agora NENHUM músico foi até a Câmara Municipal falar com qualquer vereador para tentar aprovar esse projeto. Nem o que mandou e-mail solicitando a criação do PL. Se não tem ninguém a favor, não há nenhuma razão pra esse projeto ser aprovado.

Não é nenhuma ameaça, nem pedido para que façam lobby, até porque não tenho mais nenhuma esperança que isso aconteça, é apenas uma constatação óbvia pelo andar da carruagem: O projeto que obriga as casas noturnas a repassar todo o couvert artístico para o músico será arquivado.

Depois não adianta chorar, dizer que os políticos não trabalham, que o poder público não dá importância pra cultura, e ficar numa de "ai de mim".
Parte da culpa é de vocês, músicos, que quando tem a oportunidade de fazer alguma coisa, se calam.
Tem mais é que ficar ganhando 50% da porta, e pagar R$70 reais por hora pra um estúdio enquanto podiam pagar R$100 por ano pro mesmo fim.

Eu to largando de mão dessa questão do PL do couvert, até porque daqui a pouco não terá mais PL, já que ele será arquivado. E a campanha do selo de responsabilidade social não terá mais sentido se não houver projeto.


E os músicos cantam: "Ai ai, meu deus! Tenha pena de mim. Todos vivem muito bem, só eu que vivo assim. Trabalho e não tenho nada, não saio do miserê. Ai ai, meu deus! Isso é pra lá de sofrer" (Babaú / Cyro de Souza)

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Gravação do DVD de Izabela Soares

Recebo mais um convite do Luiz Sebastião. Dessa vez para gravação do DVD dessa moça. 


Olá Amigos.
 
É com muito orgulho que divulgo à todos vocês, a gravação do DVD de Izabela Soares.
 
Izabela vai interpretar 12 músicas dos compositores florianópolitanos Luiz Texeira (Siri-Patola) e Amaro da Costa (Gente da Terra). O DVD terá circulação nacional e internacional, uma vez que Izabela mora e atua no meio musical de Paris na França. Por isso contamos com a participação ativa dos amantes da boa música e dos companheiros de profissão.
 
O projeto ainda conta com a participação dos seguintes músicos ilhéus:
 
Marco Aurélio (trombone)
Alexandre da Maria (percussão)
Neno Moura (bateria)
Rafa do Amaro (percussão)
Dú Seara (percussão)
Thiago Larroyd (cavaco e bandolim)
Nilinho (Baixo)
Luiz Sebastião (violão, arranjos e direção musical)
 
Sendo assim espero que todos vocês compareçam.


Serviço:
DVD IZABELA SOARES
local: Célula Cultural - João Paulo
data: 24 de maio
horário: 22h
Convite antecipado à R$ 10,00
Convite no dia do evento à R$ 15,00
 
Convintes e maiores informações com Luiz Sebastião (9928 9838 ou 3238 9613)
 
Muito Obrigado
 
Luiz Sebastião

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Greve de ônibus

Solidariedade humana. Ah! A solidariedade humana.
Convivemos em sociedade. Deveríamos, portanto, ser sociáveis.

No entanto, durante 1 hora em que eu estive na rua Santos Saraiva, em Capoeiras, ninguém parou pra me dar carona até o Centro. E passaram bastante carros. Nenhum deles com a capacidade máxima ocupada. A maioria com apenas 1 pessoa dentro, o próprio motorista. A maioria, e eu duvido que eu me engane nisso, estava indo para o Centro.
E SERÁ POSSÍVEL QUE NINGUÉM PODE PARAR E ME DAR UMA PORRA DE UMA CARONA???


Por isso que o povo continua cantando: "Foi em Diamantina, onde naisceu JK, que a Princesa Leopoldina arresolveu se casá..." (Sério Porto)

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Noite de samba com Izabela Soares


Recebo informação de Luiz Sebastião, o violonista de 7 cordas, sobre esse show.
Confesse que não a conheço, mas o Luiz disse que é muito bom e que vale a pena!

Eu confio no Luiz e tá lançado o convite!

As informações estão todas na imagem.

Greve de ônibus terça-feira às 9h

Chegando no centro hoje, o motorista e o cobrador disseram pro pessoal que estava dentro do ônibus que na terça-feira, a partir das 9h, começará a greve.

Alguém me dá carona???
Por volta das 11h30 de terça-feira estarei na Santos Saraiva, em frente a Distribuidora de Bebidas ADL, que fica perto do INSS da Ivo Silveira.

Show do Wagner Segura dia 22

Recebo a informação de Cláudio Caldas, gente boa e aluno do Wagner, sobre o show do professor.

O texto é pronto, não é meu, e pode ser visto em tudo que é blog que recebeu o mesmo texto.


Num show batizado de Pulsação, onde o choro é a atração principal, o violonista Wagner Segura vai interpretar alguns clássicos da música brasileira, além de composições próprias e de outros autores catarinenses. O show faz parte do Projeto Arte Comercial, que tem por objetivo promover uma maior aproximação entre lojistas e seu público através de uma manifestação artística de qualidade.

Para este show, Wagner conta com duas participações muito especiais. Uma já consagrada nos meios musicais, o violonista Luiz Meira, que já tocou com vários artistas brasileiros e há muitos anos acompanha Gal Costa em suas apresentações. A outra consolida seus passos pelos caminhos da música, Julie Philippe, cantora, já foi solista do coral da UFSC, do espetáculo Vozes da Primavera e recentemente apresentou shows em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova. Alguns integrantes do Centro Cultural Kirinus também farão participação especial.

No palco estarão ainda músicos de alta qualidade: Bernardo Sens (flauta), Rafael Calegari (contrabaixo), Fernanda Silveira (cavaquinho), Rogério Piva e Eduardo Boabaid (bandolim), Carlos Augusto Vieira (violino), Dôga, Fabrício Gonçalves e Alexandre da Maria (percussão). Alguns alunos do Centro Musical Wagner Segura também estarão no show: Vinicius Buch, Pedro, Isaac, Antonella, Sofia de Brito Cícero Dutra, Vitor Caminha, Leonardo Collaço, Bruno Brasil, Sofia Araújo e Marcos Paulo.

Há mais de 25 anos na estrada, o catarinense Wagner Segura tem participado de alguns dos mais importantes eventos musicais de nossa terra. Mantém o Centro Musical Wagner Segura, onde já transmitiu seus conhecimentos para mais de mil alunos.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Estúdio de gravação

Foto: Artur de Bem

Criei uma enquete no blog.
Quem tiver interesse, favor responder.

Caso queira expressar alguma outra idéia, mande um e-mail pra mim: arturdbem@gmail.com

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Que Barra!


Eduardo Moore (Tiriba), Fernando Garoto, Álvaro Fausane (pescador...), Iara Germer, Derik Bellardi, Moreno. Foto: Divulgação (quando a gente não sabe quem bateu a foto, é Divulgação).

O samba na Barra da Lagoa é muito bom! Isso eu já disse.
O samba na Barra da Lagoa começa às 22h, todo sábado, no Vigia do Casqueiro, lá na Prainha da Barra! Isso eu já disse.
O samba na Barra é R$6 pra quem entrar até às 23h. Depois é R$8. Isso eu já disse.
Então eu já disse tudo!

O que eu não disse ainda é que o Vigia do Casqueiro é um dos bares que repassa o couvert todo pro músico. Então pra ele, o Selo de Responsabilidade Social!

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Escola de Samba

"O sambista não precisa ser membro da academia. Ao ser natural em sua poesia o povo lhe faz imortal" (Candeia)
"Batuque é um privilégio. Ninguém aprende samba no colégio" (Noel Rosa)

No primeiro exemplo Candeia se refere à Academia Brasileira de Letras, mas eu usei para o ambiente acadêmico (faculdade). No segundo, Noel já é mais específico.

Dizem que o ambiente acadêmico só reconhece autores que foram formados pela academia, ou aqueles que não passaram pela academia, mas que tem "notório saber" sobre o assunto. 
É... não existe escola de samba. Então como dizer que alguém é sambista e outra pessoa não? Como provar?
Será que Candeia e Noel Rosa tem esse "notório saber"?

O Samba é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil. Isso faz dos sambistas o que? Guardiões desse patrimônio? Pessoas de "notório saber"? Ganham dinheiro com isso? Mas de novo surge a pergunta: quem seriam esses guardiões de "notório saber"?

O sambista tem, por um dos princípios, ser fiel às suas origens.
Nelson Sargento (pessoa de notório saber?), em entrevista a Grande Othello (pessoa de notório saber?), reconhece que não se pode exigir de um sambista(?) de hoje que se faça o mesmo samba que ele fazia na década de 40, 50, 60. É do instinto da pessoa de criar algo novo. Mas não se pode esquecer do passado. Há de se respeitar. O resto é gosto. Mas muita gente peca: esquecem o passado. Aí é que muitos sambistas (de notório saber?) não reconhecem essas novas pessoas como sambistas. E se os sambistas não reconhecem um sujeito como sambista, o que fazer? Sugestão: adotar outro estilo musical e nunca mais tocar samba, até que estude e aprenda samba.
Waldir Azevedo (pessoa de notório saber?) peitou uma banca de chorões formado por pessoas como Jacob do Bandolim (pessoas de notório saber?) ao apresentar "Brasileirinho". Foi rejeitado mas gravou assim mesmo como sendo choro. Agora pergunta pra qualquer chorão que se preze (de notório saber?) se "Brasileirinho" é choro ou fox-trote.

Arlindo Cruz (pessoa de notório saber?), junto com Acyr Marques e Chiquinho, fez um baita de um samba. Segue a letra:
"Mil perdões pelo meu senso de criticar, mas existo e logo penso, e pensando vou falar aos novos compositores, promissores empolgados, reconheço alguns valores realmente inspirados. Mas tem gente forçando barra, gente querendo inventar, fazendo samba na marra, sem ligar pra criação. Dessa gente eu gostaria de atenção, pois nessa terra de ninguém o samba se mantém porque mantém a tradição. Estou querendo criticar pra construir. Pra não deixar quem é do contra criticar. Para acabar com os argumentos de quem diz que o samba não frutificou, só tem raiz. Vamos escrever ouvindo a voz do coração, deixar fluir a verdadeira inspiração. E, assim, novamente criar para continuar o que nos ensinou velhos bambas.  Só assim, sem ter o que falar, eles vão se curvar, vão tocar e cantar novos sambas."

Nessa música o Arlindo, o Acyr e o Chiquinho mataram a pau. Pena que hoje eles fazem o contrário do que eles mesmo disseram. Quer exemplo? "Só no sapatinho, ô ô" (Arlindo Cruz)

Sambista de "notório saber" nenhum no mundo iria fazer samba comercial.
Os sambistas antigos faziam samba e vendiam? Faziam! Faziam samba para ser vendido? Não. Percebem a diferença? O samba não é comercial. Não faz parte da sua essência.
Não falo isso por falar. Digo com a propriedade de quem estuda isso há 9 anos (muito? pouco? foi intenso? foi fraco?).
Infelizmente não convivi com Candeia, por exemplo, que é o maior exemplo que eu posso dar, pra transmitir, palavra por palavra, sua mensagem. Mas do que eu estudei dele, sei que ele pensava isso. Quem estudou Candeia, sabe que eu estou certo. E quem não estudou Candeia não pode se dizer sambista. Sambista preza pela sua raiz, sua origem. É necessário estudar, conhecer o que existe no meio. Não só a música, mas o sambista. E nisso é que muita gente peca, de novo: ouve um samba, decora a letra e diz que conhece.

Existe sambista novo, afinal? Vários! Sambista não é só quem já morreu, ou só quem toca música da década de 30. Sambas novos também são bons. Muito mais raros de se encontrar, porque muita gente deturpa o samba, assim como deturparam o pagode na década de 80.

Um outro detalhe importante é a questão de gosto. Eu não gosto muito dos sambas do estilo Cacique de Ramos, mas ainda considero samba. Tem alguns desse estilo bons? Tem! Assim como também acho alguns sambas antigos ruins. Quase que na mesma proporção.
O que não se pode fazer é cantar "Falsa bahiana" com banjo. Cada macaco no seu galho. Assim como se cantar "Insensato destino" com bandolim também deve ficar ruim. E muita gente hoje grava sambas antigos com instrumentos novos, levada nova... tudo errado. Descaracteriza o samba. Descaracteriza o sambista. Vai tocar samba novo ou samba antigo? Misturar não dá!

Por isso que eu sou chato. Não gosto de ninguém. Se é pra fazer, faz direito!

É impossível explicar em texto o que é um sambista.
O objetivo maior é levantar essa discussão sobre quem é sambista. Não é um item apenas. É muito complexo.

Só o que eu queria saber é quem considera os de "notório saber" como tendo "notório saber"? A academia?

"Ah, Artur! Estais dizendo tudo isso hoje. Assim é fácil. Mas um dia, no começo disso tudo, quando não havia samba, alguém resolveu dizer que fazia samba. Quem me garante que o que ele fazia era realmente samba? Tinha alguém pra aprovar ou recusar? Quem regulamentava isso? Já começa por aí." Perguntou minha consciência.
Respondi pra mim mesmo: Alguém reclamou pra si a titularidade do samba? Que eu saiba não. O que aconteceu uma vez foi uma "briga" entre Donga, que dizia que a música de Ismael Silva não era samba, era marcha, e Ismael Silva, que dizia que a música de Donga não era samba, era maxixe. Algum dos dois tem "notório saber"? Lembrando que Donga foi considerado (por quem? pessoas de "notório saber"?) o autor do primeiro samba gravado no Brasil (embora alguns pesquisadores, formados pela academia, questionem) e Ismael Silva é o criador das Escolas de Samba (inquestionável, até então).
Então Ismael esqueceu suas origens ao criar coisa nova (do instinto, como dizia Nelson Sargento)? Acho que não. Acho que ele criou algo novo dentro da linguagem do samba. Acho até que eles frequentavam vários mesmos lugares. Acho que até cantavam os mesmos sambas. Então a discussão pode ter sido intriga pessoal? Ou quem sabe os dois estavam certos? Quem sabe Donga não teria feito um maxixe, e Ismael uma marcha?
Pixinguinha (pessoa de notório saber?) dizia que samba pra ele é de antes de Donga.
Se ninguém discordar desses 3, então os 3 estão certos. Certo?

Minha consciência conclui: o samba, então, sobre mutações. E me pergunta de novo: "Então o samba atual é samba! Se pra cada época um dizia que samba era uma coisa diferente. Hoje samba é com banjo e repique! O que havia antes era outra coisa."
Me respondo: Não. Samba não tem época. Complete a frase: "Meu coração, não sei porque, ......." (Pixinguinha e João de Barro). Isso é música da década de 30. Todo mundo conhece. Pode errar uma palavra aqui, ali, errar um pedaço da melodia, mas todo mundo canta. Detalhe: é um samba-choro.
Quem classifica isso tudo? Pessoas de "notório saber"?
O samba, pelo fato de ter repique e banjo, não deixa de ser samba. Pode ser ruim, mas pode ser samba. Só não pode ser apelativo, como disse antes.

Nos fins do século XIX, início do XX, o samba estava surgindo. Então ele passou, claro, por um processo até tomar forma de samba, que tem uma roupagem mais próxima de Ismael do que de Donga. O samba(?) da Bahia, por exemplo, antes de ir pro Rio e tomar a forma de hoje, era muito diferente do samba de Donga. Pra não negar nossas origens, os sambistas hoje cantam as músicas de Xisto Bahia (antes de Donga), que na verdade fazia muito lundu, de Pixinguinha, que na verdade era chorão, mas sabia fazer samba, de Donga, que também era chorão e fazia muitos sambas amaxixados, e de Ismael.

Confuso? Não ajudou em nada? Eu disse que era complexo.

E pra título de curiosidade de alguns: minha escola de samba foi a rua. E meus professores estão por aí. E antes de ir para a escola eu estudei muito. Aí aprendi que tudo que eu tinha estudado estava errado. Depois aprendi que nem tudo. Formei opinião própria, que pode ser alterada, porque estou sempre estudando, estou sempre aprendendo, e só não muda de opinião quem não raciocina.


E hoje o povo canta as músicas do começo do texto.

Domingo, 3 de Maio de 2009

Considerações acerca do Dia Nacional do Choro

Choro antigo, choro moderno, choro cantado, choro de rodo (isso não é uma classificação, é uma expressão).

A comemoração do Dia Nacional do Choro, realizada neste sábado no Mercado Público, foi "bem legal", como diria Luiz Sebastião.


Trio Sonoro. Só conhecia 1/3 dos integrantes. Muito bom! Foto: Artur de Bem


Ginga do Mané. Um dos pontos altos do evento. Foto: Artur de Bem


Parte do público. O resto não foi enquadrado ou era o público itinerante. Foto: Artur de Bem


Descontração do final. Foto: Artur de Bem


Vereador Márcio de Souza, principal apoiador do evento; eu, assessor do vereador, divulgador e assessor geral do evento; Luiz Sebastião, o cabeça de tudo e diretor musical. Foto: Nilza Girolla

Sábado, 2 de Maio de 2009

Novo estúdio para ensaios


Márcio Pimenta, do estúdio Pimenta do Reino, manda avisar que está inaugurando um novo estúdio, só para ensaios, além do estúdio de gravação que ele já possui.

A inauguração será dia 4 de maio, segunda, às 14h, ali no Córrego Grande, Rua Walter de Bona Castelan, 93 (mapa abaixo).
A entrada é gratuita e ele pede pra confirmar presença pelo e-mail estudiopimenta@terra.com.br.
O estúdio Pimenta do Reino já gravou dezenas de cds de samba e choro de Florianópolis.
Conversei com o Pimenta esses dias e ele se demonstrou um grande entusiasta e apoiador desses gêneros. Merece meu apoio.